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Pirâmides Coloridas de Pfister - Revisões Iniciais

Antes de dissertar sobre o assunto do qual se refere o título, gostaríamos de fazer um esclarecimento: o presente trabalho não tem a intenção de apresentar o Teste Pirâmides Coloridas de Pfister (TPC) no sentido de ensinar ao leitor como aplicá-lo e/ou interpretá-lo. Sabedores de que se trata de um teste pouco divulgado, nossa intenção é trazer novas contribuições ao profissionais de Psicologia, almejando que este instrumento contribua enormemente nos processo de avaliação psicológica.

TPC

O Teste das Pirâmides Coloridas de Pfister (TPC), foi desenvolvido por Marx Pfister em 1946, Zurique e comunicado nas "Jornada Suíças de Psicologia", em Lausanne, 1948/49. Em 1951, o teste foi publicado, após sua padronização, por Robert Heiss e Hilldergard Hiltmann, psicólogos alemães da Universidade de Freiburg.

O TPC é composto, basicamente, por uma folha padrão contendo três pirâmides, com 15 quadrados vazios a serem preenchidos com quadrados coloridos em 24 tonalidades a partir de dez cores fundamentais: azul, vermelho, verde, violeta, laranja, amarelo, marrom, preto, branco e cinza.

Trata-se de um recurso bastante útil àqueles que trabalham com Psicodiagnóstico Diferencial. Como um teste projetivo, diferenciador e de fácil aplicação e resolução, permite que o examinando sinta-se mais seguro (pois consegue cumprir as instruções com sucesso), tenha um alívio de suas ansiedades (por estar sendo testado) e, finalmente estabeleça um bom vínculo com o examinador, mesmo nos casos de pacientes de difícil acesso. Desta forma, orientamos que o TPC seja o teste introdutório dentro de uma bateria de testes.

Em nossa prática na Unidade Docente Assistencial (UDA) de Psiquiatria, Setor de Psicodiagnóstico Diferencial do Hospital Universitário Pedro Ernesto, atendemos uma grande variedade e quantidade de encaminhamentos, havendo duas vias básicas de entrada para avaliação psicológica: uma interna, de pacientes do HUPE e outra via, externa, como a Defensoria Pública, por exemplo. Há uma restrição, no entanto, para o recebimento dos encaminhamentos: estes deverão ser oficiais do setor ou da instituição requerente e os pacientes maiores de doze anos de idade.

Alguns anos de atividade permitiram que o Setor acumulasse grande quantidade de material, ideal para a realização de pesquisas. Foi quando iniciamos uma série de indagações acerca de fenômenos observados, porém não apresentados nos livros e manuais de TPC. Incomodava-nos trabalhar com um recurso de grande potencial informativo, especialmente no tocante à afetividade, mas que se mostrava com uma série de falhas técnicas, principalmente com relação à ausência do valor de desvio padrão, fundamental para a análise qualitativa dos dados e com a carência de tabelas mais atualizadas de perfis mais próximos à população por nós testada.

Nasceu, a partir deste instante, a idéia de conhecermos esse material e construir o que nos faltava, ou seja, revisar o TPC, especialmente com relação às suas tabelas e à falta de um manual com os critérios básicos estatísticos que nos permitissem uma avaliação mais acertada dos dados. Para tal finalidade, decidimos conhecer a população atendida no nosso serviço nos últimos cinco anos (1997 a 2002) com relação ao sexo, idade, estado civil, escolaridade, encaminhamento e dados específicos do teste, como: freqüência das cores, cores, colocação, fórmula cromática, tempo e síndromes.

Verificamos que alguns dados não puderam ser corretamente analisados devido à falta de anotação por parte dos examinadores, sendo estes: tempo de reação e cor preferida.

Segue, abaixo, uma lista contendo nossos questionamentos mais básicos e as respectivas tabelas.

•  Qual a principal via de encaminhamento;
•  Qual o n° de homens e mulheres; a idade e relação com o estado civil;
•  Relação entre nível de instrução, colocação, familiaridade com o recurso e tempo gasto;
•  Correspondência entre a cor preferida e a cor dominante;
•  Construção de uma tabela comparativa dos valores por cor e por síndrome.

Resultados

Por meio da elaboração das tabelas, pudemos constatar que:

1. A maior via de entrada ao Setor de Psicodiagnóstico é interna, pela Psiquiatria, para ambos os sexos, seguida pelo Detran e Defensoria Pública, houve um aumento de encaminhamentos para avaliação psicológica para revisão de desempenho em concurso público.

Com relação aos encaminhamentos da Pediatria, o elevado percentual de mulheres corresponde a uma recente parceria entre os dois setores com a finalidade de elaborar laudos à Justiça nos processos de abuso sexual infantil e como parte do projeto de monografia do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínico-Institucional.

Encaminhamento
Sexo
Total
F
M

Diabetes

0,0%

2,1%

1,7%

Defensoria Pública

7,4%

17,0%

14,9%

Dessaúde

3,7%

0,0%

0,8%

Detran

11,1%

36,2%

30,6%

Favam

0,0%

1,1%

0,8%

Guarda Municipal

7,4%

4,3%

5,0%

Nutrição

7,4%

1,1%

2,5%

Pediatria

22,2%

2,1%

6,6%

Pré-Natal

3,7%

0,0%

0,8%

Psiquiatria

37,0%

33,0%

33,9%

SEMEG

0,0%

1,1%

0,8%

Neurologia

0,0%

1,1%

0,8%

Endocrinologia

0,0%

1,1%

0,8%

Total

100,0%

100,0%

100,0%

2. Verificamos que a população atendida, 77% são homens com idade média de 31 anos, enquanto mulheres contam em 22% com idade média de 34 anos, sendo, a maioria solteiros.

Contagem de Sexo

Média de idade

Sexo

Total

Total

F

27

22,32%

34,8

M

94

77,68%

31,6

Total

121

100,00%

32,4


Estado Civil

Sexo

Total Global

F
M

C

14,8%

24,5%

22,3%

D

18,5%

2,1%

5,8%

S

63,0%

71,3%

69,4%

V

3,7%

2,1%

2,5%

Total

100,0%

100,0%

100,0%

3. Com relação à escolaridade, a maioria concluiu o ensino médio. Articulando com o tempo total de execução do TPC, constatamos que os analfabetos levam mais tempo para executar a tarefa, enquanto quem apresenta ensino médio completo ou nível superior levam menos tempo para realizar, possivelmente indicando capacidade para compreender as instruções e meta-aprendizagem, i.e., de aprender com a experiência, o que pode ser indicativo de maior segurança no desempenho.

Escolaridade

Sexo

Média de tempo

F
M
Total
Total

Analfabeto

11,1%

7,4%

8,3%

0: 10:53

Fundamental Completo

14,8%

12,8%

13,2%

0: 09:52

Fundamental Incompleto

22,2%

30,9%

28,9%

0: 08:50

Médio Completo

37,0%

35,1%

35,5%

0:08:04

Médio Incompleto

7,4%

9,6%

9,1%

0:09:07

Superior Completo

7,4%

2,1%

3,3%

0:04:42

Superior Incompleto

0,0%

2,1%

1,7%

0:06:00

Total

100,0%

100,0%

100,0%

0:08:40

No que se refere ao modo de colocação, os analfabetos apresentam tendência a preencher as pirâmides de modo descendente alternado (quando não há privilégio de um sentido) ou inverso (da direita para esquerda, ou seja, inverso ao sentido da escrita). À medida que cresce o nível de instrução da amostra, a tendência para colocação mantém-se em descendente, entretanto, há um privilégio pelo sentido direto. Essa disposição sugere que, quando há familiaridade com a escrita, a tendência é privilegiar o sentido direto na ordem de colocação dos quadrículos, mas para aqueles que não possuem tal familiaridade, a colocação parece ser aleatória, não havendo um sentido prevalente.

A amostra com nível superior apresenta tendência a valorizar o sentido da escrita, variando o sentido vertical, ascendente ou descendente nas mesmas proporções. Estudos indicam que essas variações verticais apresentam valor sintomático digno de nota.

Escolaridade

Colocação

 Total

a/al
a/d
a/i
al
al/d
al/i
d/al
d/d
d/i

A

0,0%

10,0%

0,0%

0,0%

0,0%

10,0%

30,0%

20,0%

30,0%

100%

FC

0,0%

12,5%

0,0%

0,0%

0,0%

0,0%

25,0%

50,0%

12,5%

100%

FI

8,6%

22,9%

2,9%

0,0%

2,9%

0,0%

17,1%

40,0%

5,7%

100%

MC

2,3%

23,3%

9,3%

0,0%

4,7%

0,0%

4,7%

53,5%

2,3%

100%

MI

0,0%

9,1%

0,0%

9,1%

0,0%

0,0%

9,1%

63,6%

9,1%

100%

SC

25,0%

25,0%

0,0%

0,0%

0,0%

0,0%

0,0%

25,0%

25,0%

100%

SI

50,0%

0,0%

0,0%

0,0%

0,0%

0,0%

0,0%

50,0%

0,0%

100%

Total

5,0%

19,0%

4,1%

0,8%

2,5%

0,8%

13,2%

46,3%

8,3%

100%

4. A relação cor preferida-cor dominante não se estabelece de forma direta, isto é, em apenas 27,3% da amostra ocorreu o maior uso da cor preferida. Verificamos que, do total de pessoas que usaram azul (48 ou 39,67% da amostra), 39,58% disseram que esta era sua cor preferida; do total de pessoas que usaram verde (41 ou 33,88% da amostra), 26,83% disseram que esta era sua cor preferida. Portanto, o azul se apresenta como a cor mais utilizada no teste e que encontra correspondência com a preferência da amostra. Seu valor sintomático parece refletir, coerentemente, esse fenômeno.

Cor Preferida

Cor Dominante

Total

am
az
br
la
ma
vd
vi
vm

am

1

3

 

 

1

1

1

 

7

az

 

19

1

 

 

5

1

7

33

br

 

4

1

 

 

1

 

4

10

ci

 

1

 

 

 

1

 

 

2

la

 

1

 

1

 

1

2

1

6

ma

 

 

 

1

 

1

 

1

3

pr

 

6

 

 

 

3

2

 

11

vd

 

6

 

 

 

11

1

 

18

vi

 

1

 

 

 

1

 

 

2

vm

 

2

 

 

 

2

 

 

4

vm 1 (rosa)

 

 

 

 

 

2

 

1

3

(em branco)

 

5

1

 

 

12

 

4

22

Total

1

48

3

2

1

41

7

18

121

5. Para concluir o trabalho, elaboramos uma tabela com os valores das médias das cores utilizadas e sua relação com o sexo. Essa tabela nos informa como a amostra se comportou com relação à utilização das cores. As análises quantitativa e qualitativa dependerão dos valores comparativos com uma tabela padrão.

As tabelas apresentadas mostram um panorama do que pudemos presenciar em cinco anos de trabalho com o TPC no Setor de Psicodiagnóstico, localizado dentro de um hospital público/HUPE.

É sabido que a população encaminhada para avaliação apresenta-se, geralmente, com uma queixa, ou por problemas psiquiátricos, psicológicos ou por ter sido considerada inapta no psicotécnico em concursos públicos, de modo que se torna uma amostragem "viciada", com índices de ansiedade e de transtornos, possivelmente elevados, se comparado com a população em geral, principalmente porque mantém expectativas com relação aos resultados (preocupação com o desempenho nos testes).

Para efeito comparativo, colocamos, lado a lado, as várias tabelas existentes e verificamos que há discrepâncias entre os dados, o que nos faz pensar que podemos desenvolver tabelas mais representativas, com validade estatística, para todo o território brasileiro, se aumentarmos e diversificarmos nossa amostra. Deste modo, intencionamos dar continuidade à pesquisa, aplicando o TPC em uma população 10 vezes superior à amostra clínica. Inicialmente, a coleta de dados deverá ocorrer nas dependências da UERJ, a partir da disponibilidade das pessoas solicitadas. Estas deverão responder a um questionário básico, fornecendo informações sobre idade, sexo, escolaridade, nível sócio-econômico e estado civil, além especificar se já fora testado.

Dados
Sexo
Total
F
M

Média de Az

16,07

18,32

17,82

Média de Vm

18,07

13,01

14,14

Média de Vd

17,56

18,78

18,50

Média de Vi

9,04

10,19

9,93

Média de La

10,11

7,67

8,21

Média de Am

11,15

9,66

9,99

Média de Ma

4,48

6,00

5,66

Média de Pr

3,81

5,62

5,21

Média de Br

4,81

7,31

6,75

Média de Ci

4,48

3,15

3,45


F.Villemor
SP - 1973

T.Van Kolck
Alunos Psic Un.Frb/RS Alunos Psic PUC/RS

F

M

Total

F

M

Total

F

M

Total

30,25

28,33

29,29

22,00

18,50

20,20

23,90

22,70

23,30

18,42

22,83

20,63

15,60

19,20

17,60

15,70

16,50

16,10

35,08

25,67

30,38

14,80

17,80

16,40

20,70

20,90

20,80

2,33

1,67

2,00

8,50

6,10

7,30

3,90

6,10

5,00

2,08

1,33

1,71

8,70

11,10

10,00

9,40

3,80

9,10

4,00

9,47

6,74

13,20

12,20

12,60

9,80

9,20

9,50

0,67

4,67

2,67

7,70

6,30

6,90

4,10

5,50

4,80

2,33

2,00

2,17

5,80

6,10

6,00

5,20

5,80

5,50

5,00

3,00

4,00

2,00

2,00

2,00

5,20

3,10

4,10

0,50

1,33

0,92

1,70

0,70

1,00

-

0,80

0,50

Informações bibliográficas:

AMENDOLA, Marcia Ferreira. Pirâmides Coloridas de Pfister - revisões iniciais. Revista Práxis e Formação: as várias modalidades de intervenção do Psicólogo . Anais do VII Fórum da Residência em Psicologia Clínico-Institucional - HUPE/UERJ, set. de 2002 (no prelo).
Disponível em www.canalpsi.psc.br/artigos/artigo05.htm. Acessado .

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