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A morte do pai.

Tradução Livre
La mort du père
Françoise Hurstel – Professora do Laboratório de Psicologia da família e da filiação, LPF, EA 3071, ULP
Mesa Redonda – transmissão entre as gerações
Teatro Jeune Public (TJP) outubro de 2002
http://savoirs.u-strasbg.fr/2002/docs_telecharger/transmission _generations.pdf

‘O pai está morto’ lembra Françoise Hurstel (FH).

Está morto é uma forma de paternidade milenar: de acordo com a psicóloga, o pater familia (Pátrio Poder ou Poder Familiar) está claramente em destituição progressiva desde a Segunda Guerra Mundial. E esta revolução tem certamente repercussões sobre a transmissão familiar.

Por que é preciso transmitir?

FH: Para que as crianças desses homens venham a ser humanos, aprendam os valores, sua cultura, sua língua. Esta transmissão se faz, hoje em dia, em formas culturais totalmente novas que não se sabe mais como gerenciá-la.

Você diz que as famílias transmitem, porém de outra forma. O que elas transmitem?

FH: Para os sociólogos, a família deve favorecer a construção de sua identidade. Desenvolver-se custe o que custar é o princípio dominante. Mas este não é suficiente. A criança é também o elo de uma cadeia genealógica. Para poder se construir e se desenvolver, é preciso impor a ela os interditos, do qual o principal é o do incesto. Se a criança não é mais um elo, neste caso, por que transmitir-lhe os valores? Tudo tem mudado e, no entanto, todos os conteúdos antigos ainda se transmitem. Mesmo o dinheiro faz transmissão. No século dezoito, o elemento central da transmissão era no patrimônio. Regia tudo, até aos casamentos, que eram contratados de acordo com as estratégias de aliança de bens familiares. No século XX, assiste-se à lenta desconstrução dessa história. Hoje em dia, a transmissão do patrinômio responde a uma outra lógica. Ela permite afirmar um laço genealógico. É suficiente ver as rivalidades entre irmãos e irmãs que brigam para ganhar uma mesa ou de uma cômoda. Os valores de antigamente sempre se transmitem, mas de forma anárquica. Nós transmitimos muito mal, em particular os valores, como o respeito ao outro, pois não se sabe o que eles querem dizer. Transmite-se todo um sistema de valores que se tem perdido.

Você diz que a família está em plena revolução. Após este terremoto, iremos em direção a um equilíbrio ou continuaremos em uma fase de ajustamento permanente?

FH: É tudo uma questão da modernidade. A estabilidade das transmissões está ligada à estabilidade familiar e à estatal. Ora, em 20 anos, nosso mundo conheceu mais mudanças que durante os 200 últimos anos. Nós estamos em um período onde as transformações se aceleram. As adaptações rápidas que elas provocam não têm nada de evidente, mas fazem que nós vivamos uma época formidável. Uma outra Psicologia da família aparece na qual nós somos, ao mesmo tempo, os atores e os espectadores. Chegaremos a um equilíbrio? Hoje, nós estamos bem no meio do vau, nem na partida nem na chegada de uma forma estabilizada de paternidade ou de parentalidade. Esta questão deveria encontrar respostas mais satisfatórias que hoje, mas sempre muito transitórias. Esta estabilidade poderá entretanto ser possível apenas se um conjunto de valores, como a liberdade, a igualdade e a fraternidade, encontram uma definição para a família. Experiências existem como a associação “SOS Papa” que luta pela igualdade entre pais e mães nos divórcios. Os valores ainda não chegaram a um estado de equilíbrio e não chegarão, talvez nunca, se cada um de nós não se impuser a tarefa de refletir e pensar o que pode ser esta transmissão.

Qual é o papel dos avós hoje na transmissão? Que evoluiu?

FH: É verdade que os avós fazem parte da família alargada. Substituem frequentemente aos pais que trabalham. Esta função de ajuda está ligada ao novo estatuto da mulher, ao mesmo tempo mãe e mulher ativa.

Informações bibliográficas:

AMENDOLA, M.F. A morte do pai (Tradução Livre). FRANÇOISE HURSTEL. La mort du père. Mesa Redonda – transmissão entre as gerações. Teatro Jeune Public (TJP). Original disponível em  <http://savoirs.u-strasbg.fr/2002/docs_telecharger/trans mission_generations.pdf 2002>.
Disponível em www.canalpsi.psc.br/artigos/artigo11.htm. Acessado .

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