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Escolas e pais separados: como se relacionam?

Resumo do trabalho apresentado na sessão coordenada Interfaces entre Psicologia Jurídica e Direito de Família apresentado no IV Congresso Norte-Nordeste de Psicologia, Salvador - BA

Andréia Ribeiro Cardoso

Universidade Estadual do Rio de Janeiro

Este trabalho pretende apresentar os resultados da pesquisa “Escola e pais separados: uma parceria possível”, desenvolvida como dissertação do curso de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Hoje, as uniões conjugais estão se tornando cada vez menos tradicionais e se edificando em várias formas de relação familiar. Neste cenário, verifica-se o aumento do número de casais separados e, com isso, muitas dificuldades encontradas pelos pais desunidos em diferenciar as questões de conjugalidade das de parentalidade, para manterem o pleno exercício da função materna e paterna em igualdade de condições. Sentimentos como: raiva, mágoas e desprezo em relação ao ex-cônjuge, não aceitação da separação, dificuldades de âmbito financeiro, dentre outros, são apontados como fatores que contribuem para o distanciamento dos pais em relação aos filhos. Alguns pais reconhecem que o papel de visitante e o acesso ao filho nos finais de semana quinzenalmente designado pelo Judiciário, contribuem para a fragilização dos vínculos com a criança, o que acaba sendo uma limitação ao relacionamento pai e filho. Esses papéis atribuídos aos pais muitas vezes são vistos como uma forma de discriminação, pois perpetuam o genitor guardião como o principal, ou talvez, único para o cuidado da prole, ficando o genitor visitante excluído do acompanhamento escolar, médico e outras atividades que fazem parte do dia-a-dia dos filhos. Isto foi verificado em trabalho com pais visitantes que se queixaram da prevalência materna quanto aos cuidados com os filhos, o que os deixavam sem recursos pessoais para lidarem com uma questão socialmente construída. Muitos pais questionavam a conduta da instituição de ensino, principalmente quando os filhos estavam cursando a pré-escola. Estes genitores, no papel de visitantes de seus filhos, afirmaram que a escola de suas crianças não os reconhecia enquanto responsáveis e não tecia qualquer informação a respeito do desenvolvimento educacional dos mesmos, alegando que todos os informes são transmitidos à mãe, como se fosse um direito exclusivo desta receber notícias sobre a vida escolar da prole. Para alguns autores, as determinações jurídicas contribuem para o afastamento entre pais e filhos e as instituições como escolas, creches, hospitais, etc., acabam por confirmar a prevalência do direito à mãe, esquecendo da importância da figura paterna no desenvolvimento escolar da criança. Partindo da compreensão de que as escolas também podem contribuir para a fragilização dos papéis parentais, elege-se como objeto desta pesquisa a verificação das posturas que esta instituição adota em relação à situação dos pais que não convivem com seus filhos e desejam manter o exercício da parentalidade, principalmente com relação ao acompanhamento da escolaridade dos mesmos. A metodologia de pesquisa empregada foi a de análise qualitativa com trabalho de campo, tendo como principal técnica de coleta de dados primários entrevistas semi-estruturadas com professores da classe pré-escolar e orientadores pedagógicos (ou o profissional que exerça esta função). A investigação ocorreu em onze escolas particulares, situadas em bairros da zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de um trabalho que buscou, na articulação de teorias, conceitos e trabalho de campo, uma ferramenta para se pensar certas condutas e aprofundar algumas questões pertinentes ao tema. As reflexões alcançadas poderão subsidiar ações voltadas ao campo social que contribuam para repensar o papel da escola diante dos pais separados que não convivem com seus filhos, assim como propiciar melhor conhecimento da questão da participação dos pais na vida escolar das crianças e possíveis repercussões sobre o desenvolvimento delas. Desta forma, poderá fornecer elementos que propiciem mudanças na relação escola-família.

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