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Conversando com pais e mães separados

Resumo do trabalho apresentado na sessão coordenada Interfaces entre Psicologia Jurídica e Direito de Família apresentado no IV Congresso Norte-Nordeste de Psicologia, Salvador - BA

Juliane Dominoni Gomes
Andréia Ribeiro Cardoso
Christine Vieira Pereira
Leila Maria Torraca de Brito

Universidade Estadual do Rio de Janeiro

Resumo

O presente trabalho busca apresentar uma das etapas da investigacão científica Rompimento Conjugal e Parentalidade - Impasses e (Des)Orientação, desenvolvida pelo grupo de pesquisa Parentalidade, do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A proposta do estudo foi de avaliar, por meio de grupos de reflexão com pais e mães separados, os impedimentos que se estabelecem para o pleno exercício dos papéis parentais após a separação conjugal. Como constatam diversos autores, a guarda concedida a um dos pais pode contribuir para o afastamento do genitor visitante das decisões que visam a educação e os cuidados da prole. Em contrapartida, tem sido comum a queixa - proveniente do genitor designado como guardião - de sobrecarga de tarefas referentes aos cuidados diários com os filhos, somados aos compromissos profissionais e domésticos. Optou-se pelo viés da pesquisa participativa, considerando a possibilidade dos envolvidos abandonarem as posições de meros coadjuvantes nas suas vidas e assumirem a co-autoria das suas próprias histórias, participando do diagnóstico das situações, como também da criação de alternativas que as solucionem. Visou-se, ainda, averiguar a aplicabilidade dos grupos de reflexão como instrumento de coleta de dados, por meio dos relatos vivências de pais e mães após o desenlace do matrimônio. Cada grupo contou com doze encontros, sendo que estes foram divididos em três etapas. O primeiro momento foi reservado para circunscrever as dificuldades narradas por estes pais; a segunda fase foi destinada à procura de possibilidades para lidar com problemas que ocorriam na relação dos participantes com seus filhos e/ou ex-cônjuges; a terceira etapa objetivou colocar em prática as alternativas que poderiam trazer mudanças pessoais ou sociais para a relação entre pais e filhos após a separação conjugal. Nos grupos, ficou clara a concorrência e a disputa entre os gêneros; questões que poderiam ser identificadas como produzidas pelo contexto social, geralmente eram classificadas pelos participantes como características inatas ao sexo feminino ou masculino. Um exemplo de caracteristica de comportamento citado pelos homens eram as atitudes das genitoras, quanto a permitir ou não o convívio do pai com as crianças, após a saída deste do lar. Muitos pais se queixaram da prevalência materna quanto aos cuidados com os filhos, sentindo-se sem recursos pessoais para lidar com uma questão socialmente construída. As mães, entretanto, reclamavam que os pais acabavam por se afastar das crianças após a separação. Ambos afirmavam que o processo de separação era muito difícil e doloroso para todos os envolvidos, mesmo sendo consensual e, ainda, declaravam que houve um aumento nas dificuldades econômicas. Foi avaliado que os grupos de reflexão podem facilitar a compreensão de dificuldades comuns aos que vivenciam a separação, contribuindo com uma maior implicação dos pais na luta, individual e coletiva, por melhores condições de convivência parental. Notou-se também, uma preocupação dos pais em buscar outras modalidades de guarda, além da monoparental, que garantisse o pleno exercício de suas funções parentais, como também o desenvolvimento saudável de sua prole.

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