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Conversando com filhos de pais separados

Resumo do trabalho apresentado na sessão coordenada Interfaces entre Psicologia Jurídica e Direito de Família apresentado no IV Congresso Norte-Nordeste de Psicologia, Salvador - BA

Carla Veloso Carneiro
Laura Cristina Eiras Coelho Soares
Leila Maria Torraca de Brito

Universidade Estadual do Rio de Janeiro

Resumo

Este trabalho visa a apresentar os conhecimentos obtidos na segunda fase da pesquisa Rompimento Conjugal e Parentalidade – Impasses e (des) orientação, que vem sendo empreendida, desde 2002, pelo grupo de pesquisa Parentalidade, do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Na primeira etapa da investigação foram realizados grupos de reflexão com pais e mães separados. Os grupos contaram com 12 encontros semanais, na UERJ, com duração de 1h e 30min cada. Já na segunda fase, que é o objeto do presente trabalho, foram realizadas entrevistas individuais, semi-estruturadas, com jovens na faixa etária de 21 a 29 anos - primeiros a sentirem os efeitos da Lei do Divórcio no Brasil. Nosso objetivo foi observar como os filhos vivenciaram as diversas mudanças decorrentes da separação de seus pais e avaliar as dificuldades e impasses que se estabelecem para o pleno exercício da parentalidade após o rompimento conjugal. Identifica-se a separação conjugal como um acontecimento responsável por uma série de mudanças no cotidiano dos que estão envolvidos no núcleo familiar, acarretando visíveis alterações no desempenho dos papéis parentais. Diversos autores salientam que as disposições legais, ao definirem questões relativas à atribuição de guarda, podem trazer sérias repercussões quanto ao exercício da parentalidade, inclusive com prejuízos na preservação dos vínculos de filiação. Ressaltam, assim, as dificuldades para um estreito relacionamento entre pais e filhos decorrentes dos arranjos de visitação estabelecidos quando, comumente, a mãe é designada como guardiã da prole e o pai passa ao lugar de visitante quinzenal.Tal situação pode colaborar com a indefinição sobre direitos e deveres de cada um dos pais. Interpretam alguns estudiosos que as atitudes masculinas de afastamento dos filhos são, por vezes, conseqüência do sentimento de não reconhecimento social de seu papel, do qual se sentem destituídos. Foi observado que a disputa pela guarda, prevista inclusive no atual Código Civil Brasileiro, contribui para os enfrentamentos entre os genitores, com repercussões nefastas ao relacionamento destes com seus filhos. Foi constatada a importância do estabelecimento da guarda conjunta como um suporte para a manutenção da parentalidade e de uma convivência ampliada com ambos os genitores. Neste modelo de guarda entende-se que a responsabilidade que o pai e a mãe possuem em relação aos filhos não sofre alteração com a separação, na medida em que esta ocorre no âmbito da conjugalidade. Os resultados obtidos, no segundo segmento da pesquisa, foram tratados por meio da análise de conteúdo do que foi apresentado ao longo das entrevistas empreendidas com os jovens. Busca-se, a partir da integração do conjunto de reflexões e dados disponibilizados como produto da pesquisa, contribuir para uma melhor compreensão do que vem ocorrendo na realidade brasileira com referência à guarda de filhos de pais separados.

Informações bibliográficas:

Carneiro, C. V.; Soares, L. C. E. C. e Brito, L.M. T. Conversando com filhos de pais separados. Resumo do trabalho apresentado no IV Congresso Norte-Nordeste de Psicologia. Sessão Coordenada: Interfaces entre Psicologia Jurídica e Direito de Família. Salvador, 2005. Disponível em www.canalpsi.psc.br/artigo21.htm. Acessado .

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